Um lindo Sonho


08/02/2006


 

Doce sonho?

Acordo no meio da noite, no momento em que o silêncio me agarra pelos ombros e me cobre de afetos que já não sei partilhar.
Pede-me que esqueça os limites do que sou e me desloque no nascer do acaso, ao longo das fragâncias doces do instante, e me desgarre do avesso de mim mesma, envolvendo-me nos meus próprios desejos.
No primeiro instante não entendo este pedido.
Confundo o silêncio com a escuridão e agarro-me com todas as minhas forças aos restos do cetim dos lençóis, procurando-lhes a maciez e a frescura.
As vestes do meu leito oferecem-me segurança ao tempo que o silêncio me abraça e me conduz em busca do que desconheço.
Permaneço, por instantes, quieta, o olhar fixo no nada, no negro, mas ao compasso do habituar das minhas íris à ausência de luz começo a descobrir os contornos.
Não os do meu quarto... antes os de um mundo a que não sei por onde cheguei, nem quando.
Nem tão pouco sei se estou.
Num mundo tão cruel como esse em que vivemos é, por vezes, necessário acrescentar-lhe um pouco de açúcar.
Só assim conseguimos ultrapassar as dificuldades dessa imensa escuridão.
Sei apenas que estou plena de mim.
Aos poucos, perco o domínio dos meus braços, que se erguem devagar, ao ritmo do perder do medo.
Agrada-me a espera do acreditar em mim mesma, ainda que transborde de consciência do quanto me poderei sentir só.
Sinto nos lábios o aflorar de um sorriso e deixo que me invada o querer...
Nada pode agora levar-me ...
...absolutamente nada!

 

Escrito por Mônica às 22h27
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05/02/2006


 

Será ?

 



"...A gente lê um livro e ele fica ali,
onde a gente o deixar, a postos para a retomada da leitura.
A gente guarda discos para ouví-los daqui a dez anos,
a gente guarda cartas de amor para relê-las,
para relembrar as emoções vividas,
mas a pessoa que a gente amou,
depois de tanto tempo,
já naum nos diria as mesmas palavras,
já naum sente o que sentia antes,
naum há como resgatá-la,
recomeçar do ponto em que ficou.
Volta e meia sentimos vontade de matar saudades de quem foi importante pra nós,
pois é uma maneira de matar saudades da gente mesmo,
saudades de uma época em que éramos mais inocentes ou mais românticos ou simplesmente mais jovens.
Um amor da faculdade,
um amor de verão,
um amor da adolescência.
Amores que têm data,
que nos transportam para o passado,
amores que nos trazem as melhores lembranças,
e talvez as piores,
o que confirma que foram mesmo paixões viscerais.
Onde elas estão que naum podem mais estar aqui?
Nossos amores têm outros donos,
outra cara,
pegaram outra estrada 
e se ainda lembram de nós, naum sabemos.
Às vezes temos oportunidades de viver um flashback,
e vivemos,
mas nunca mais é a mesma coisa,
os amores naum se congelam,
naum se cristalizam,
evoluem,
nos ultrapassam,
ou ficam pra trás,
naum há mais alinhamento,
e então a gente retorna para nossos livros,
nossos discos,
nossas fotos,
e mata a saudade com o que a gente conseguiu guardar e trazer:
a sensação de que todos os nossos amores foram os primeiros"...


" Este texto acima é da Martha Medeiros e me fez pensar se um dia nós seremos assim também...
estranhos um para o outro...
com outros amores,
outras pessoas,
outras vidas...
O que sinto hoje por você me faz querer acreditar que naum...
Que sempre você estará  comigo...
mas ao mesmo tempo somos estranhos para o mundo!

Uma ótima semana a todos!

Escrito por Mônica às 21h57
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